A questão do efeito pigmalião remete-nos indubitavelmente de certa forma para a área da formação das nossas impressões para com os outros...
Os professores através da formação de diferentes impressões perante os seus alunos, irão assim apresentar diferentes comportamentos para com os mesmos, já que geralmente, para cada impressão, um comportamento específico... Temos que reparar que a formação das impressões e os respectivos adventícios comportamentos que se tomam perante os alunos em nada é algo imparcial... Estes formam-se através dos princípios do professor, de aquilo que lhe incutiram na infância, de aquilo que ele acha melhor ou não, consoante os seus valores, entre outros... A formação das impressões é um processo natural que dificilmente é alterado, tal como os comportamentos que se lhe juntam…Logo um professor cria sempre distinções entre os alunos, dando mais atenção e estimulação a uns do que a outros…É impossível que não haja estas distinções… Doravante temos que também ter uma grande atenção perante os alunos…Os alunos são também personalizados de princípios e valores, que podem ou não corresponder àquilo que os professores eventualmente esperavam deles…Simplesmente um professor pode estimular um aluno que ache que é muito inteligente, mas o aluno nem se quer o gosta de ouvir, pelo que não lhe liga nenhuma e está-se a “borrifar” para o mesmo, não ligando nada aos estudos e consequentemente não tirando boas notas … O efeito pigmalião não é colinear…Cada situação tem uma certa especificidade
Recorramos a uma experiência mental para entendermos aquilo que pretendo transmitir: o Toni Paulo é um professor que lecciona uma turma do segundo ano da Escola Primária de Cinfães… Este no inicio do ano apresentou-se á sua turma, e a turma também se apresentou ao mesmo… A turma era constituída por dois elementos, o José e o Hugo, que tinha a alcunha de” Coelho”… O “Coelho” era um rapaz que vivia numa das aldeias dos arredores de Cinfães, filho de pais agricultores vivia sobre condições precárias, somente tomava 2 vezes banho por semana (e quando tomava), vinha para a escola sempre com a mesma roupa muitas vezes já enegrecida e borrada de tanto uso, nas suas narinas era visível sempre um muco esverdeado que metia nojo a quase toda a gente…Era um individuo que na sua maior parte das vezes vivia excluído da população da vila… Pelo contrário, o José era um rapaz que tinha vindo de Cascais com os seus pais diplomatas, e se tinha alojado na vila, numa moradia luxuosa…Andava sempre bem cheiroso, vestia roupas de marca e, no seu geral era um “garanhão” na escola primária… O professor que dizia que nunca fazia diferenças entre alunos por causa das suas aparências e classes sociais, agia de forma incrivelmente contrária ao que dizia…O primeiro período iniciou-se e criou-se uma desigualdade tremenda entre os dois: o professor Toni Paulo dava muita mais atenção ao José, quando o José acertava uma questão merecia sempre um rebuçado, enquanto que quando o Coelho acertava já não o merecia; este falava de forma mais doce e confiante para o José, enquanto que para o Coelho ia sempre uma mensagem de desconfiança e inutilidade… O primeiro teste foi dado…Os alunos fizeram-no e depois o professor corrigiu-os…Quando os entregou os alunos tinham a mesma nota: 17 valores… O que retirar desta experiência mental?
Em primeiro lugar temos que notar que o Professor Toni Paulo estava incutido de valores e ideias que faziam com que tratasse os dois alunos de forma diferente…Mesmo este sabendo que de certo modo estava a agir mal e que se alterasse o seu comportamento poderia até estar a ajudar tanto o José e o Coelho da mesma forma, este de certo modo não conseguiria tirar as sua distinções, pois é algo intrínseco que o persegue, algo possivelmente que se construiu durante a sua infância por grupos específicos que sempre o “envolveram” e que lhe incutiram tal valor… Possivelmente alguém lhe poderia fazer o seu comportamento, mas era muito difícil… Em segundo e por último, temos que ter em atenção a nota que o José e o Coelho tiveram. A nota que o Coelho teve, prova que não é só por um professor estimular mais um aluno do que o outro, que o que foi mais estimulado é melhor aluno do que o outro que não foi… Neste caso o Coelho sempre foi indiferente ao que o professor Toni Paulo disse, pelo que encarou de forma indiferente do tratamento que recebia…Deste modo as sua características intelectuais, mentais e cognitivas não forma afectadas, pelo que este consegui tirar uma boa nota… Assim podemos dizer que o efeito pigmaleão não é colinear, pois depende de quem expõe as expectativas, mas mais do que estes ainda estão as pessoas que têm que corresponder a essas expectativas…
Henrique Aidos, "Reflexão Efeito Pigmalião"
É evidente que o Efeito Pigmalião pode não funcionar em todas as circunstâncias e com todos os sujeitos. Não há leis absolutas e definitivas, mesmo nas ditas ciências exactas. Muitos factores concorrem para o (in)sucesso dos alunos, logo à cabeça a motivação para a aprendizagem que estes têm ou não têm.
ResponderEliminarApesar de tudo devemos considerar a importância das expectativas, pois elas são responsáveis pela majoração da aprendizagem. E se elas são importantes é bom que os alunos tenham em atenção que devem dar uma boa impressão aos professores para que estes criem expectativas altas em relação a eles.
Devido a este texto vais ter que pagar uma taxa aos intervenientes...
ResponderEliminarA mim ao zé e ao prof António Paulo.