domingo, 26 de dezembro de 2010

Crianças Selvagens- "Victor de Aveyron"

(...) questão epistemológica entre o inato e o adquirido, que dominou o panorama cientifico dos anos 50 no século XX. O “menino selvagem” (...) apareceu a 9 de Janeiro de 1800, a partir de uns bosques franceses, mais precisamente localizados junto da vila de Saint-Serin, situada no Sul de França. Ninguém declarou ser seu pai, ninguém reclamou ser sua mãe.




“(…)O menino andava erecto mas estava despido; exprimindo-se por guinchos, não tinha hábitos de higiene e satisfazia as suas necessidades em qualquer lado. No entanto, era um ser humano entre os onze e os doze anos de idade e após ter sido levado á policia , foi encaminhado para um orfanato. Aí tentou várias vezes a fuga sendo dificilmente capturado. O seu comportamento agressivo fazia em pedaços as roupas que lhe vestiam.
Após esta etapa da sua vida, o menino foi levado para Paris, onde sistematicamente e através de várias tentativas foi “educado” de forma a passar de um estado animal para um estado humano. Esta tarefa só foi parcialmente bem sucedida porque se o menino aprendeu a usar roupas, a vestir-se sozinho e a acatar normas de higiene pessoal, nunca se interessou por brincadeiras ou jogos e nunca falou verbalmente mais do que umas poucas palavras.
As razões para tal comportamento não residiram no facto de o rapaz ser caracterizado por um qualquer atraso mental: apenas não ligava nenhuma á linguagem humana ou mostrava uma incapacidade para dominar o discurso verbal humano, (Giddens: 1997). Após ter feito poucos progressos, o menino feito homem faleceu com cerca de 40 anos de idade em 1828. A sua exposição pública como ilustrativo de uma quimera poderá te-lo levado á exaustão.
Infelizmente, ao menino selvagem de Aveyron, não foram aplicados os actuais testes  afim de conhecermos se a criança era efectivamente caracterizada por um qualquer problema mental. Contudo, e a par de outros casos de crianças negligenciadas ou maltratadas, pensa-se que existirá um “período crítico” para a aprendizagem da língua e de outras funções complexas humanas. Depois desse período critico, já é difícil a um ser humano dominar completamente essas funções. Por outro lado, a experiência e a falta de estabelecimento de laços sociais e culturais com outros seres humanos ,a que o menino selvagem de Aveyron foi sujeito, provocaram-lhe um dano psicológico que o impediu de dominar situações e comportamentos que a maior parte das crianças efectuam muito cedo(…)”


                                                                                 Fonte: "Setúbal na rede"; texto de Conceição Pereira (Antrópologa e assistente universitária)

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